FACUNDO GUERRA E STORYMAKERS INAUGURAM ESPAÇO DE ARTE IMERSIVA NO FAROL SANTANDER, NOVO CENTRO DE EMPREENDEDORISMO, CULTURA E LAZER DE SÃO PAULO


A exposição Belo, transitório, intangível e finito, com obras inéditas do Coletivo TUNDRA e da artista intermídia Laura Vinci, inaugura o espaço de arte imersiva que ocupa dois andares de icônico prédio no centro da cidade, propondo uma nova relação com a arte integrada à paisagem urbana

A dupla Facundo Guerra, reconhecido como um dos principais agitadores culturais da capital paulista, e Tatiana Wlasek, diretora geral da agência Storymakers, se juntou para criar o espaço de arte imersiva que ocupará o 22º e o 23º andar do Farol Santander, antigo Edifício Altino Arantes. A abertura será no próximo dia 26 de janeiro, apresentando a exposição Belo, transitório, intangível e finito com obras inéditas do coletivo russo TUNDRA, com a obra O Dia que Saímos do Campo (The Day We Left Field) e da paulistana Laura Vinci com a também obra Diurna. A exposição fica em cartaz até o dia 4 de maio de 2018.

O Espaço de Arte Imersiva integra uma localização emblemática de São Paulo, apresentando o que há de vanguarda no âmbito da produção multimídia, multissensorial e artística, conectada à vida urbana. "Queremos que o Espaço de Arte Imersiva converse com o momento atual, de empreendedorismo e soluções criativas. Os coletivos de arte autônomos são perfeitos representantes desses movimentos", completa Tatiana Wlasek.

O objetivo é oferecer um ciclo de experiências estéticas que dialogue com a inovação, a internacionalidade e a representatividade. Trata-se de uma nova forma de relação com a arte, alinhada com a velocidade da vida moderna, onde há uma interação mais imediata e a experiência in loco se destaca. Por isso fala-se em site specific, conceito no qual as obras configuram uma situação espacial única, levando em conta as características do local, e que não podem ser apreciadas e compreendidas senão ali. "O Brasil já tem uma rica tradição nesse tipo de arte e de experiência local – basta lembrar da "Cosmococa", do Helio Oiticica, por exemplo – e esse foi o caminho que eu e Tatiana quisemos seguir", explica Facundo, diretor criativo da exposição.

A proposta é que este novo Espaço de Arte Imersiva sempre contemple projetos nacionais e internacionais, enaltecendo a pluralidade da criação artística contemporânea. Laura Vinci apresenta em Diurna, projeto inédito especialmente concebido para o Farol Santander, uma experiência íntima de paisagem e natureza: através de projeções em videomapping que ocupam as paredes laterais da sala, o público pode ver sombras de árvores evidenciadas ou apagadas pela ausência ou incidência da luz, no ritmo da respiração. No ambiente, folhas de árvores cobertas de ouro incitam a reflexão sobre essa natureza cada vez mais rara e distante das cidades.

Já o coletivo russo TUNDRA, pela primeira vez no Brasil, apresenta em sua obra inédita O Dia que Saímos do Campo (The Day We Left Field) uma paisagem vertiginosa. A instalação audiovisual proposta pelo coletivo mergulha o expectador em uma jornada envolvente, digna de filmes de ficção científica. Do teto pende um jardim invertido constantemente escaneado por disparos de laser que criam diferentes padrões sobre a cabeça dos visitantes, acompanhados por um cenário sonoro atordoante. Ao mesmo tempo plástica e angustiante, a obra propõe essa fusão natureza-máquina distópica.

A inauguração do Espaço de Arte Imersiva marca a abertura oficial do Farol Santander, agora repensado como um ambiente de ocupação multifuncional, voltado para tratar de questões de empreendedorismo, lazer e cultura. "Acredito que a decisão do Santander foi muito acertada de reabrir esse espaço para que volte a ser como um norte, literalmente um farol, para os paulistanos. É uma honra participar desse projeto", afirma Facundo.

SOBRE AS OBRAS


O Dia Que Saímos do Campo, do coletivo TUNDRA


No vigésimo terceiro andar de um arranha-céu no centro de São Paulo existe um jardim digital suspenso entre a terra e o céu onde o virtual se torna um portal para o pessoal. O Dia que Saímos do Campo é uma instalação audiovisual site specific que apresenta uma verdadeira pradaria flutuante de som e luz. O público é totalmente imerso dentro de um espaço sinistro de sonhos, sentindo-se vulnerável e ao mesmo tempo consciente do simbolismo genuíno produzido pela observação da natureza que sobrevive dentro do ambiente urbano e fechado. Essa coabitação dissonante desperta uma longa lista de oposições binárias, como o sintético versus o natural, o real versus o virtual, o humano versus a máquina, etc.

A exposição faz uso da força da natureza "digitalizada" para refletir sobre o delicado equilíbrio entre o humano e o desumano. Aqui, de alguma maneira, o grito de pura criatividade de Jackson Pollock – "Eu sou Natureza" – reverbera ainda mais alto.

Diurna, de Laura Vinci


Imagens de sombras de árvores serão projetadas em toda a extensão das duas paredes laterais da sala. A luz pulsante, variando de intensidade e tonalidade, fará com que as silhuetas transitem desde seus cambiantes mais sutis até a luminosidade ofuscante que as faz desaparecer. O ritmo dessas mudanças deverá instaurar no ambiente uma respiração contínua, em que lentas gradações de luz poderão ser entrecortadas por intervenções repentinas. No fundo da sala, três janelas abertas deixarão ver um fragmento vertiginoso da cidade de São Paulo. Espalhadas pelo chão, folhas fundidas em latão, banhadas a ouro, remetem a um virtual outono que pudesse durar. E um pequeno sinal em X, emitido por uma luz vermelha, móvel, percorre a sala, pontuando-a com um sinal inquietante de uma urgência sem nome.

As sombras das árvores estão ali quase como uma memória involuntária do edifício. Como se ele pudesse extrair de si, de sua estrutura tão iconicamente paulistana, algo que a cidade deixou escapar, uma reflexão sobre a relação urbana com a natureza, quase já inexistente. A propósito, o jogo de luz e sombra que o trabalho instaura formalmente, faz ver as árvores justamente ali onde a luz falta.

SOBRE OS ARTISTAS


TUNDRA é um coletivo colaborativo de artistas de São Petersburgo, especializado em performances multimídia e instalação. Sua equipe multidisciplinar inclui músicos, engenheiros de som, programadores e artistas visuais. Através de seu trabalho, continuam lutando contra o equívoco amplamente difundindo que interpreta a arte desenvolvida por meio de sofisticadas tecnologias digitais como algo mais próximo da indústria do entretenimento do que um discurso de arte contemporânea. Suas instalações site-specific exigem a experiência integral no espaço onde são montadas, onde comparecer à exibição já é em si parte da própria obra. Primordialmente, sua arte é uma experiência sensorial que deve ser sentida.


A equipe é conhecida por suas instalações imersivas exibidas em festivais de arte multimídia nos Estados Unidos, Europa, Ásia e Rússia. A maioria das obras TUNDRA foram lançadas, avaliadas e apoiadas por meios de comunicação de grande visibilidade, como Creators Project, FastCoDesign e diversos outros.

Laura Vinci é uma escultora, artista intermídia, pintora, desenhista e gravadora, formada em Artes Plásticas pela FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) e mestre em Artes Plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Dedicou-se à pintura no início de sua carreira, em seguida desenvolveu obras tridimensionais de metal e pedra. Começou a criar instalações, como o trabalho apresentado no evento Arte Cidade: A Cidade e Suas Histórias, em 1997, além de assinar a cenografia da peça Cacilda!, dirigida por José Celso Martinez Corrêa, em 1998. Desde 2000, ministra cursos livres de pintura e escultura e participa de workshops em várias instituições culturais de São Paulo, como o Instituto Tomie Ohtake. Participou do Projeto Residência Externa-Sertões/Teatro Oficina, com direção de José Celso Martinez Corrêa, coordenando as oficinas de cenário, figurino e direção de arte, entre 2000 e 2001. Em 2003, publicou o livro Laura Vinci, pela Edusp e em 2005 fez residência na Escola de Belas Artes da Universidade RMIT, em Melbourne, Austrália.

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