​Documentário brasileiro sobre raios, seus mitos e verdades, estreia no SescTV

 

A produção questiona sobre como o fenômeno pode mudar a vida de uma pessoa, no dia 16/3, sexta-feira, às 23h



Foto: Divulgação/Storm.

Baseado em pesquisa histórica de Osmar Pinto Junior, coordenador e fundador do Grupo de Eletricidade Atmosférica, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, o documentário Fragmentos de Paixão (2014, 70 min.), dirigido por Iara Cardoso, aborda a interferência de raios nas vidas das pessoas.  Acidentes, paixão, medo e superstições sobre o fenômeno são temas tratados no filme que é o primeiro sobre raios no Brasil. Inédita, a produção será exibida no SescTV, no dia 16/3, sexta-feira, às 23h. Assista também em sesctv.org.br/aovivo.

 

Narrado por Osmar e por Mabel Cezar, a produção expõe que cerca de 50 milhões de raios caem no Brasil por ano, atingindo aproximadamente 500 pessoas. O fenômeno começou a ser estudado no país em 1780, em um observatório improvisado em uma igreja que ficava no Morro do Castelo, que existiu no Rio de Janeiro até 1922, quando o destruíram para fazer uma reforma urbanística.  

 

Um dos estudiosos mais importantes no assunto, o engenheiro industrial e civil e geógrafo francês, naturalizado brasileiro, Henrique Charles Morize (1860 – 1930), ficou conhecido por ter tirado a primeira fotografia de um raio no Brasil, utilizando uma placa de lâmina de prata. Ele trabalhou para D. Pedro I no Imperial Observatório, criado em 1827, que hoje é o Observatório Nacional, situado também no Rio de Janeiro. Seu bisneto, o engenheiro elétrico Henrique Carlos Morize comenta que as fotos não são mais o instrumento melhor para se estudar o fenômeno, mas fotografar um raio ainda fascina as pessoas.

 

Fragmentos de Paixão mostra conversa com o Tenente Henri, que servia na Fortaleza de Santa Cruz, em Niterói – RJ, quando, em 2010, um raio atingiu um dos dois mastros para bandeiras que haviam ali. Em Morro de São Paulo - BA, investiga os estragos que raios faziam nas embarcações portuguesas, quando chegavam ao Brasil, e o que significava essa manifestação para os navegantes. Em Ubatuba, litoral de São Paulo, visita a Aldeia Boa Vista, onde o Pajé Maurício dos Santos, eleito como Guardião do Raios, fala sobre superstições referentes ao fenômeno, como a de que um raio não cai duas vezes em um mesmo lugar. Outra superstição, a de montar em um cavalo branco em dia de chuva atrai raio, aparece na história Cecília de Assis Brasil, filha do político gaúcho Assis Brasil (1857 – 1938).

 

Pessoas atingidas por raios também narram suas histórias no documentário. Júlio César, um lutador de artes marciais, que trabalhou durante 13 anos no batalhão da Polícia Militar, recorda que estava pilotando sua moto quando foi atingido por um raio. "O mito de que os pneus da moto isolam os raios, é mentira", acredita. Situação semelhante aconteceu com José Vicente. Ele conta que, há aproximadamente 10 anos, saiu de bicicleta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, onde trabalhava, e foi atingido por um raio quando estava às margens de uma cerca de eucaliptos, ficando três dias desacordado. "O raio atingiu minha perna. Coloquei 7 pinos e duas placas", explica. Ele revela como acabou se casando com uma das pessoas que lhe prestou socorro.

 

A atração ainda comenta sobre a criação do Grupo de Eletricidade Atmosférica – ELAT, em 1979, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – IMPE, em São José dos Campos, interior de São Paulo. De acordo com o filme, o observatório do Rio de Janeiro não atua mais nessa área e o ELAT é considerado uma referência mundial.

 


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