DISCOVERY TALKS DEBATE O FENÔMENO DO CONTEÚDO INVESTIGATIVO E SUA RELEVÂNCIA JUNTO ÀS MULHERES

 
 
 
 
Edição intitulada INVESTIGAÇÃO: SUBSTANTIVO FEMININO contou com as participações do apresentador premiado Tony Harris e do antropólogo
Miguel Jost
 
 

 

Da esq para dir. André Mermelstein, diretor de comunicação da Discovery Networks Brasil, Monica Pimentel, VP de conteúdo da Discovery Networks Brasil, Tony Harris, jornalista e apresentador de 'Na Cena do Crime com Tony Harris', do Investigação Discovery, e o antropólogo Miguel Jost. (Foto: Ricardo Hara)

Aconteceu em São Paulo nesta quinta-feira, 24, a segunda edição do Discovery Talks. Sob o tema INVESTIGAÇÃO: SUBSTANTIVO FEMININO, o encontro reuniu o mercado com o objetivo de apresentar uma extensa pesquisa feita sobre o conteúdo do gênero true crime (investigação de casos reais) e discutir como ele cativa a audiência majoritariamente feminina do canal Investigação Discovery. No Brasil cerca de 70% do público do canal são mulheres.

Foram três meses de pesquisas que resultaram em uma abordagem interdisciplinar sobre este gênero nas frentes da produção audiovisual, da análise comportamental e da presença mercadológica – representadas, respectivamente, nas falas de Tony Harris,  jornalista, vencedor do Emmy e do Peabody Award e apresentador da série "Na Cena do Crime com Tony Harris" do Investigação Discovery; Miguel Jost, antropólogo e professor da PUC-RIO; Monica Pimentel, vice-presidente de conteúdo da Discovery no Brasil, e Eduardo Teixeira, gerente de planejamento estratégico e branded content da Discovery.

A relevância do conteúdo investigativo está expressa nos números do Investigação Discovery, único canal inteiramente dedicado ao gênero com casos 100% reais. Lançado no Brasil em 2012, o ID está presente em 19 países, nos quais chega a mais de 250 milhões de espectadores. Por aqui, nesses seis anos, o crescimento de audiência do canal é da ordem de 233%.

Ainda no Brasil, o Investigação Discovery possui média de permanência entre mulheres de uma hora e 17 minutos, a terceira maior no universo da TV por assinatura. De acordo com os índices de audiência aferidos entre janeiro e maio de 2018, o canal é o segundo mais visto pelo público feminino, ficando atrás apenas do Discovery Home & Health, outra marca do portfólio.

Do ponto de vista mercadológico, o Investigação Discovery provou ser um sucesso internacional com importante projeção no cenário da TV por assinatura brasileira. O que, em termos de comportamento da audiência, explica a preferência dos espectadores, em especial das mulheres, pelo gênero? Essa pergunta motivou a análise do antropólogo Miguel Jost, que identifica a resposta em três grandes tendências relacionadas entre si: o retorno do real, a narrativa da investigação criminal e a sua transformação em entretenimento.

Para Jost, com a crescente digitalização e automatização das funções e comunicações, há também aumento no interesse por experiências que sugiram alteridade e contato humano, o que justifica maior procura por conteúdos que tragam acesso a bastidores e detalhes não revelados na informação jornalística. Com um vasto acervo de exemplos, Jost trouxe casos como a demanda crescente pelo turismo de experiência, por documentários e imagens de making of.

Na segunda tendência, ele assinala a narrativa da investigação criminal como uma poderosa força dramática que incide sobre as mais diversas linguagens: da literatura de folhetins, passando pelos livros de Agatha Christie e contos de Edgar Allan Poe, até as séries de investigação. Posicionar o leitor/espectador no papel de investigador que decifra mistérios seria elemento-chave para o profundo envolvimento que esse tipo de conteúdo é capaz de gerar. Como exemplos, há os relatos verídicos que inspiraram as versões de CarandiruCidade de Deus e Tropa de Elite.

Por fim, o antropólogo destaca que o tratamento dado ao conteúdo baseado em crimes reais, tal como visto nas séries do Investigação Discovery, converte essa experiência de alteridade e o jogo investigativo em entretenimento. Nesse sentido, contam escolhas de produção, tais como as fontes selecionadas, apresentadores com notável experiência na área da cobertura e investigação criminal e a linguagem das reconstituições apresentadas nas séries, o que inclui pitadas de sarcasmo. Esse trio de tendências combinadas explica, para Jost, o fenômeno internacional do conteúdo true crime: o engajamento provém de um tipo envolvente de entretenimento que coloca o telespectador no lugar de investigador.

Em seguida, Eduardo Teixeira incluiu na análise o notável interesse do público feminino pelo Investigação Discovery. A equipe da Discovery, a partir do retorno obtido nas redes sociais e em estudos qualitativos, extraiu quatro grandes motivos que levam as mulheres brasileiras a serem superfãs do canal: o primeiro deles é a precaução – as espectadoras acham importante conhecer e reconhecer padrões de comportamento violentos para evitá-los –; o segundo é o senso de justiça – uma vez que as séries trazem as soluções dos casos e punições aplicadas aos criminosos –; o terceiro é a valorização da inteligência e capacidade analítica por tramas que as convidam a solucionar os crimes; e, por fim, a noção de empatia e identificação com as mulheres reais que as séries retratam – para elas, é importante reconhecer a si mesmas em um conteúdo que fuja aos clichês e estereótipos relacionados às preferências femininas.

"O espectador do Investigação Discovery busca profundidade das análises e fontes, conexão com uma abordagem humana ausente na cobertura policial e, ainda, quer reconhecer e entender o trabalho dos detetives e promotores", diz o apresentador Tony Harris, resumindo as principais conclusões do encontro.

Harris falou ainda como a sua vasta experiência como repórter investigativo e as mais de três décadas de trabalho para redes de notícias como CNN e Al-Jazeera foram transpostas para "Na Cena do Crime com Tony Harris", série original do Investigação Discovery que terá a estreia da segunda temporada em setembro: "Estou preocupado com o lado humano da notícia que fica de fora da cobertura tradicional; olho nos olhos dos familiares das vítimas e procuro, com as entrevistas, exercer uma abordagem responsável e sensível ao drama dessas pessoas que passaram por uma dor inimaginável para a maioria de nós".

Assim, com as contribuições de todos que participaram dos painéis e apresentações, o Discovery Talks elucidou importantes questões sobre o gênero de conteúdo true crime, transferindo ao poder da narrativa e do entretenimento uma grande capacidade de envolvimento que não existe na cobertura policial. Configura-se um fenômeno global que desafia as preconcepções sobre a audiência feminina e abre inúmeras possibilidades para empresas e parceiros que queiram fazer parte desse engajamento.

DISCOVERY TALKS DAY teve início em 2017 com o objetivo de compartilhar conhecimento e aproximar as diferentes áreas do mercado por meio de debates sobre temas e tendências relevantes na produção de conteúdo. O projeto oferece workshops, estudos, e palestras, colocando em circulação as ideias de diferentes elos da produção, comunicação e entretenimento.

Miguel Jost

Eduardo Teixeira

Tony Harris

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