​José Miguel Wisnik discute os pontos de encontro da poesia com a letra de música

Em episódio inédito da 2ª temporada da série Super Libris, do SescTV, músico e ensaísta responde à pergunta: letra de música é poesia? Dia 28/5, às 21h



José Miguel Wisnik. Foto: Piu Dip.

A poesia oral é anterior à invenção da escrita. Ela começou sendo declamada, em voz alta, para depois ser fixada no papel. Nas letras de música, o compositor escreve versos e, depois, entoa-os na melodia. Sendo assim, dá para considerar a letras de canção uma poesia? Para explicar esta questão, o músico, escritor e professor José Miguel Wisnik usa seu didatismo no episódio Letra de Música É Poesia?, que integra a segunda temporada da série Super Libris, dirigida pelo escritor, cineasta e jornalista José Roberto Torero. O episódio vai ao ar no dia 28/5, segunda-feira, às 21h, no SescTV. (Assista também em sesctv.org.br/aovivo).

Wisnik afirma que poesia é a arte da palavra. E que a letra de música se assemelha à poesia porque ela é, também, arte da palavra, com a diferença de surfar na melodia e no ritmo da canção. "Essa pergunta, feita no Brasil, nos faz dizer que a letra de canção, não sendo necessariamente poesia, alcançou muitas vezes o nível de arte da palavra, que faz com que a gente diga que ela é alta poesia", introduz o autor.

A diferença maior entre as duas expressões, diz Wisnik, está na entoação da letra de música, elemento para o qual chama atenção o escritor Luis Tatit, cujas teorias são frequentemente citadas no episódio. "Quando a gente fala, a gente melodiza. O cancionista, mesmo sem conhecer nada da linguagem musical, ele tem uma intuição do que é a curva melódica de um samba, como entoação", diz Wisnik, que cita, para exemplificar, a canção "Nem é Bom Falar", de Ismael Silva.

Ainda acerca das ideias de Luiz Tatit, Winsik explica: "O Tatit considera que a fala é irregular e não periódica. Enquanto a música tem uma regularidade de pulso, de ritmo, em notas". Wisnik chama atenção para dois efeitos dos cruzamentos entre poesia e letra de música. Tem canções, como "Conversa de Botequim", de Noel Rosa, em que a irregularidade das palavras invade a música. "Você ouve a primeira vez e não sabe para onde ela vai. A eficácia dela é que ela tem uma lábia entoativa, que faz parecer alguém falando e, bom, é uma conversa de botequim...", diz Wisnik. Por outro lado, prossegue ele, existem músicas, como "Baião", de Luiz Gonzaga, em que a regularidade da música é injetada na fala. "São melodias bem definidas, com um desenho geométrico. Essas músicas são tematizantes, elas criam um objeto. Nesse caso, o Baião", explica.

Além da entrevista principal, José Miguel Wisnik participa de outros quadros no episódio Letra de Música É Poesia?. Em Pé de Página, ele mostra o local onde escreve, confessa que escreve no computador e diz que, desde cedo, vivia o dilema de querer ser escritor e tocar piano, o qual ele solucionou ao encontrar-se com a canção brasileira. No quadro Primeira Impressão, Wisnik recomenda dois livros sobre canção. "O Cancionista: Composição de Canções no Brasil", de Luis Tatit, e "Três Canções de Tom Jobim", escrito, em conjunto, por Lorenzo Mammi, Arthur Nestrovski e de novo por Luis Tatit.

Ainda no episódio, o quadro Orelhas apresenta a cantora e compositora chilena Violeta Parra. Na seção Prefácio, sobre literatura infantil, Dolores Prades indica o livro "Pedro Pedreiro", com letra de Chico Buarque e ilustrações de Fernando Vilela. No quadro Quarta Capa, a booktuber Juh Oliveto comenta o livro "Histórias de Canções: Vinicius de Moraes", escrito por Wagner Homem e Bruno de La Rosa. E, em Epígrafe, quadro novo da segunda temporada do Super Libris, o cantor e compositor Péricles Cavalcanti interpreta músicas do livro/CD "O Canto das Musas. Poemas para Conhecer, Ler, Recitar e Cantar".

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