Série Habitar Habitat revela como vivem os moradores de ocupações nos grandes centros urbanos


 
A produção inédita do SescTV mostra quem são esses habitantes e o que os levou a morar nesses espaços 
 
Foto: Produção Habitar Habitat.                                                                                                 Hotel Cambridge. Foto: Produção Habitar Habitat.
 
De acordo com a antropóloga e pesquisadora Stella Paterniani, nos últimos anos, houve um aumento no número de pessoas que vivem em ocupações, tanto em prédios como em terrenos. Para retratar o cotidiano desses brasileiros e discutir o conceito de ocupação, o SescTV exibe Sem-teto, episódio inédito da série Habitar Habitat, que vai ao ar no dia 23/01terça-feira, às 22h,  com direção do jornalista Paulo Markun e do documentarista Sergio Roizenblit (assista também pela internet emsesctv.org.br/avivo). A produção visita a Ocupação Progresso, no bairro Sarandi, em Porto Alegre – RS, e a Ocupação Hotel Cambridge, no centro da capital paulista.
 
Na Ocupação Progresso, instalada em um terreno na capital gaúcha, Mauro Arruda, 51, desempregado, conta que trabalhou durante 17 anos como vigilante em uma mesma empresa, que faliu. Sem conseguir emprego não viu outra saída a não ser morar na ocupação. Sua esposa, Genesi Silva recorda o quanto foi difícil no início. "A nossa casinha era uma lona, uma cabaninha. Ficamos ali um ano e meio." Hoje, vivendo em uma casa feita de madeira, ela comemora. "Estamos num paraíso". Eles revelam que não invadiram a propriedade, pagaram três mil reais por ela, e acreditam que quem a ocupou ficou com medo de ser expulso e a vendeu.  
 
A líder da Ocupação Progresso Lisiane Vida Alves afirma que há no local 93 famílias, sendo que 47 dessas são haitianas e cerca de 45, brasileiras. "A imagem que é passada de ocupação é marginalidade, é crime, é gente sem lei, é gente se diversos terrenos não cumprem a função social. Estão parados por 10, 20 anos para especulação imobiliária", explica. Segundo ela, esses habitantes não têm condição de pagar por essas casas, mas o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto consegue. "O MTST tem possibilidade de pegar uma verba, enquanto instituição do governo, para construir essas moradias", pensa. 
 
Fundado em 1950, o Hotel Cambridge – que já foi um dos mais luxuosos do País, tendo hospedado famosos brasileiros e internacionais – foi desapropriado pela prefeitura da cidade de São Paulo por não pagamento de dívidas. Em 23 de novembro de 2012, teve seus 16 andares ocupados por aproximadamente 170 famílias. Jeroen Stevens, arquiteto e urbanista da Universidade de Leuven, na Bélgica, é uma dessas pessoas. Está ali com o objetivo de ficar mais próximo de sua fonte de pesquisa para sua tese de doutorado sobre as diversas formas de trabalhar com urbanismo alternativo. "Morar em uma ocupação não é fácil. Você tem que fazer tudo mesmo", diz.
 
Habitantes da Ocupação Hotel Cambridge revelam os motivos que os levaram a se mudarem para lá, como a distância entre o local de trabalho e a residência e o alto preço do aluguel. A viúva e aposentada Irene Silva comenta que, na ocupação, pagam uma taxa simbólica de 200 reais por mês e há um porteiro para controlar a entrada de pessoas no prédio. Aos 64 anos de idade, ela sobe 14 andares, pelas escadas, todos dos dias para chegar até o seu espaço. 
 
Carmen da Silva Ferreira, representante da Frente de Luta por Moradia, mostra uma biblioteca montada no prédio, com livros e móveis doados. "Aqui a gente tem aula de vídeos com as crianças e aula de inglês e espanhol nos fins de semana." Ela também fala sobre um projeto criado por eles para dar oportunidades para alguns moradores de desenvolverem seus trabalhos, como uma padaria e um brechó que há lá dentro. Carmen confessa que a necessidade a levou a viver em uma ocupação. "As pessoas têm que compreender que a gente não quer nada de graça, a gente quer pagar (a propriedade) dentro das nossas possibilidades", desabafa. Para a antropóloga e pesquisadora Stella Paterniani, esse tipo de moradia é precário, quando se refere às estruturas, e não são dignos.
 
No episódio, os moradores revelam ainda o medo diário de serem despejados e o sonho da casa própria. Além disso, a produção conversa com o cineasta Toni Venturi sobre como foi fazer o documentário Um Dia de Festa (2006, 77 min.), que codirigiu com Pablo Georgieff, integrante de um coletivo de arquitetos franceses que estudavam formas alternativas de habitação. Toni conta que o longa foi gravado durante oito ocupações unidas pela FLM, que aconteceram simultaneamente na cidade de São Paulo. "Foi na madrugada após as eleições municipais de 2004", situa. Trechos do filme são exibidos no programa.
 
Lançada pelo SescTV em novembro de 2017, a segunda temporada da série Habitar Habitat apresenta, em linguagem documental, diferentes modos de morar no país e suas relações com a cultura. Ela trata o conceito de moradia não apenas como espaço físico, mas também como núcleo de convivências, afetos e deslocamentos. Os treze episódios, de 52 minutos, retratam a vida em quilombos, assentamentos, ocupações, asilos, cortiços e internatos; e ainda registram o cotidiano de refugiados, ciganos, moradores de comunidades alternativas, motorhomes, faróis e veleiros.
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