Na sexta de Carnaval, o SescTV estreia o documentário “O Samba que Mora em Mim”


 
Dirigido por Georgia Guerra-Peixe, a produção trata da relação de moradores do Morro da Mangueira com o samba e o carnaval 
  
  
"Desde que eu era pequenininha, que eu aprendi que carnaval era muito mais que folia, muito mais que feriado, muito mais que festa". Essa frase abre a narrativa de Georgia Guerra-Peixe, filha de Fernando Guerra-Peixe, ex-diretor da escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira, no início do documentário O Samba que Mora em Mim, dirigido por ela. De forma poética, a produção discorre o elo existente entre os moradores do Morro da Mangueira, o samba e o carnaval, a partir de histórias das vidas dessas pessoas, contadas por elas e atreladas à paixão que sentem pela Mangueira. Inédito no SescTV, o filme vai ao ar dia 08/02, sexta, às 21h. 
  
Georgia conta que nasceu numa família que sempre deu muita importância à música. O pai nunca foi um percussionista talentoso e nem tão pouco mestre de bateria, mas "sempre foi um carnavalesco apaixonado". E como não poderia ser diferente, esse gosto pelo samba foi transferido para a esposa e os filhos, que o acompanhava nos ensaios das escolas de samba. O resultado dessa experiência foi um irmão músico talentoso e uma mãe, uma descendente de alemães, aprender a sambar. "E eu fiquei com o olhar. Eu olhava o sorriso, eu olhava as baquetas, eu olhava os dedos machucados", comenta. 
  
Olhar este que a levou para além da escola de samba. Ela queria conhecer a história de cada pessoa, por isso resolveu subir o Morro da Mangueira. "Se eu pudesse calar uma escola de samba, eu ficaria com as histórias. E elas falariam desse samba, mas desse samba que mora em mim", explica. 
  
O documentário mostra o dia-a-dia dessa comunidade; passeia por entre suas ruas e vielas estreitas, onde emaranhados de fios elétricos, misturados a linhas de pipas e cadarços, ajudam a compor a paisagem em meio às casas inacabadas. A produção registra o cotidiano de meninos que brincam de bolinha de gude; o vai e vem de crianças indo às escolas e de moradores, ao trabalho, à mercearia, ao boteco; ou, simplesmente, uma conversa na janela. 
  
Georgia entra nas casas dessas pessoas e ouve suas histórias de vida. Elas falam, entre outros temas, sobre problemas, desejo de paz, desilusões e a paixão pela Estação Primeira de Mangueira.  A história de uma das entrevistadas revela que morar no morro não é tão ruim quanto se pode pensar. Para criar os filhos e manter a casa, ela possui quatro quitinetes na Mangueira, que aluga, além de ser proprietária de uma mercearia. Confessa gostar de morar lá e diz ter quatro ar condicionados, cinco televisores, cinco DVDs, duas geladeiras e três computadores. 
  
A produção contempla a diversidade religiosa e musical que há no Morro da Mangueira. A religião católica divide espaço com a evangélica e com o candomblé, além de outras variações. Este lugar, aparentemente dominado pelo samba, pagode e funk, também abriga outros estilos musicais, como o rock, o forró e a música evangélica. Os preparativos que antecedem o desfile da Estação Primeira de Mangueira, como a confecção das fantasias e o ensaio da bateria, e a empolgação do Mestre Taranta e de foliões no dia do desfile no sambódromo ainda estão no documentário. 
  
Na trilha sonora está a canção O Samba que Mora em Mim, composta originalmente por Dimi Kreefff para o documentário, e outras como: As Rosas Não Falam, de Cartola; Favela, um funk sobre a Mangueira; e diferentes sambas-enredos da Primeira Estação Mangueira.   
  
Produzido por BossaNovaFilms e Filmes do Tejo II, o longa recebeu o Prêmio Especial do Júri Oficial na 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. 

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