Violência de gênero: autora mineira encoraja mulheres que sofrem em silêncio


Em nome das incontáveis vítimas que não sobreviveram a agressões, romance de Adriana Figueiredo acolhe vítimas e incentiva a denúncia

Adriana C. A. Figueiredo procurou a literatura para amparar mulheres hétero, transgênero, transexuais, homossexuais ou travestis vítimas da violência de gênero. Por isso, no lançamento Amor Sob Medida, ela vai além de um enredo cativante: traz informações úteis sobre a Lei Maria da Penha, ensina a denunciar e entrega uma carta especial de acolhimento escrita pela psicóloga e militante Carolina Dantas.

Feito para parecer um romance comum e clichê, a autora não faz referências a nenhuma forma de abuso na capa ou contracapa – para que os agressores não percebam a verdadeira intenção do texto. Com uma mensagem de empatia, a autora incentiva a busca por ajuda para romper de vez com o sofrimento.

Confira abaixo a entrevista completa com a escritora sobre esta obra tão essencial:

1 – O lançamento "Amor Sob Medida" é, acima de tudo, uma forma que você encontrou de acolher as mulheres vítimas de violência. O que a incentivou a tratar sobre o tema e trazer tantas informações para as leitoras?

Adriana Figueiredo: Eu sempre quis escrever um romance, porque eu amo ler desde muito cedo. Quando decidi escrever essa história, comecei ao participar de uma antologia chamada "Eles e Elas Falam de Amor", que reuniu vários autores em torno do tema "amor"; foi aí que escrevi o final da minha história. Dadas as limitações de caracteres, acabei me inscrevendo com dois contos que esboçavam o final feliz de Anna e Jonny. Naquela ocasião, uma das organizadoras me incentivou a escrever a história completa, e eu resolvi parar de sabotar os meus sonhos de uma vez por todas.

Eu particularmente nunca vivenciei uma experiência relacionada à violência doméstica, mas conheço pessoas que sim e, infelizmente, sei que muitas dessas pessoas não têm uma segunda chance. E sei também que nós, mulheres, sempre somos testadas neste quesito desde muito cedo. Mas o tema surgiu da necessidade de superar um trauma, que era exposto num dos contos da antologia, pela personagem. Então me vi estudando sobre o assunto e acompanhando histórias reais que pudessem embasar e trazer maior veracidade à situação vivenciada pela protagonista.

Escrevi o livro em pouco mais de 25 dias, em 2021, quando passava por um problema de saúde que me fez repensar a vida. Fui aos poucos lapidando a história, cortando as arestas e polindo o conteúdo. A pandemia acabou trazendo à tona graves crimes cometidos contra mulheres dentro de suas próprias casas, e isso me inspirou ainda no livro.

2 – Ao final da obra você traz a carta de uma psicóloga direcionada às vítimas. Além de acolher, esse texto também é um incentivo às mulheres buscarem ajuda?

A. F.: As ideias iam surgindo e se adequavam ao momento em que eu estava escrevendo. Por isto, me senti na responsabilidade de trazer uma acolhida a tantas pessoas, em especial mulheres, independente da classe social, a buscarem ajuda e falarem do que vivem dentro de suas casas.

A carta surgiu quando, ao pedir amigos para lerem a minha história, eles identificaram pessoas do convívio que já tinham passado por situações semelhantes, mas não sobreviveram. Colocar dentro de um romance uma possibilidade de acolher e encorajar uma tomada de decisão, que pode salvar uma vida, vai de encontro com o meu propósito de vida. Por isso, não pensei duas vezes antes de pedir à Carolina Dantas para escrever esta carta, que validou ainda mais a minha história. A violência e o abuso psicológico acontecem nos lugares em que menos se imagina.

3 – No enredo do livro, você também aborda a questão dos padrões de medidas do mercado da moda. De que forma acha que isso pode impactar as mulheres que se entristecem por estarem "fora dos padrões"?

A. F.: Eu acredito que todas nós, mulheres, em algum momento, sentimos que somos reféns de padrões de beleza quase sempre inalcançáveis. Quando o contexto da história permitiu abordar este tema, eu também me senti acolhida. Em inúmeros momentos da vida senti essa "tristeza" por estar "fora dos padrões". Não importa se a pessoa está acima ou abaixo deste padrão, em qualquer circunstância, ela se destoa da regra, afinal, ela está fora. Por isto acredito que é possível impactar mulheres que sofrem por não caber nas roupas.

4 – O livro também é sobre esperança. Qual a sua principal mensagem relacionada ao amor verdadeiro? Ainda vale a pena buscar ou fazer as pazes com o amor?

A. F.: O livro é todo sobre esperança em muitos sentidos. Quanto ao amor verdadeiro, eu leio romances desde sempre – alguns dos quais não me lembro sequer o nome –, e guardo comigo as histórias, porque são essas que eu gosto de ler. Acredito no amor, se não acreditasse, não me atreveria a escrever sobre ele. No fim das contas, é tudo sobre o amor e sobre a certeza de que vale a pena buscá-lo, ainda que alguma das experiências anteriores tenham sido infelizes.

5 – Você já tem outros dois livros publicados. Quais os seus planos para o futuro na literatura?

A. F.: Eu verdadeiramente encontrei na escrita o meu dom, aquilo que amo fazer da vida. Não importa onde e como, escrever me cura, me liberta, me faz acreditar que posso ser mais e melhor a cada dia. Então, não vou parar. Tem muita história que precisa ganhar vida, e todas elas têm o propósito de promover uma reflexão e fazer com que o leitor possa repensar assuntos necessários.

Acredito que a única maneira de eternizar a nossa vida seja deixando algo nosso para os que virão depois. Além das fotografias, acredito no poder de permanência de uma pessoa através de um livro escrito e, assim, quero escrever a minha história.

Sobre a autora: Adriana C. A. Figueiredo é bancária, natural de Raul Soares, interior de Minas Gerais. Formada em Administração de Empresas e Pós-Graduada em Administração de Recursos Humanos, foi na maternidade que ela encontrou uma oportunidade de despontar em outra paixão: a escrita. Em 2021 publicou seu primeiro livro "Estreia de mãe"; na sequência deu vida para o título "O Primogênito e o Caçulinha", e agora lança o romance ficcional Amor Sob Medida.

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