"Em determinados momentos eu paro para escutar um fado. E algumas fadistas me deixam realmente muito impressionado e emocionado", conta o compositor, poeta, escritor e filósofo Antonio Cicero, convidado da websérie "Ponte Aérea: Portugal - Brasil"


"Acho que o Brasil olha muito para Portugal como se Portugal só tivesse fado, mas há muitos ritmos em Portugal. Se a gente for na origem, no folclore, de um país e do outro, a gente encontra muitas semelhanças. Eu acho que talvez a poesia seja o que mais reúna estes dois lugares.", afirma Tiago Torres da Silva, letrista português que já teve composições gravadas por grandes nomes da MPB

Realizado pelo canal Papo de Música e apresentado pela UBC e a SP, programa apresentará três entrevistas inéditas, com Carolina Deslandes, Antonio Cícero e Tiago Torres da Silva





(Carolina Deslandes - Divulgação)



Música, poesia e intercâmbio cultural. A cantora portuguesa Carolina Deslandes, o compositor, poeta, escritor, crítico literário e filósofo brasileiro Antonio Cicero e o letrista português Tiago Torres da Silva são os convidados da semana do da websérie "Ponte Aérea: Portugal - Brasil", iniciativa da União Brasileira de Compositores e da Sociedade Portuguesa de Autores para aproximar e divulgar a música e a cultura dos dois países. Com início em agosto, o programa comandado por Fabiane Pereira, jornalista e apresentadora do canal Papo de Música, já recebeu nomes como Carminho, Ney Matogrosso e Antònio Zambujo, Nelson Motta e Cuca Roseta, Mayra Andrade, Russo Passapusso e Capucua, Duda Beat e Pongo, Fafá de Belém e Teresa Salgueiro, entre outros. As transmissões dos episódios são apresentadas às terças-feiras exclusivamente no canal 'Papo de Música' no YouTube. Já os programas de quinta-feira são transmitidos simultaneamente no Papo de Música e no YouTube da UBC.

Lisboeta, Carolina Deslandes ficou conhecida quando, em dezembro de 2010, ficou em terceiro lugar na quarta temporada dos da versão portuguesa do Ídolos. A partir daí, sua carreira na música seguiu numa crescente. Em agosto de 2017, lançou o single "A Vida Toda", que se tornou um dos temas mais cotados no Top do iTunes português e mais ouvidos no Spotify em Portugal, tendo o respectivo videoclipe publicado no Youtube ultrapassado os 7 milhões de visualizações. O single chegou ao número 9 do top português de singles em fevereiro de 2018. Em abril do mesmo ano, lançou o seu terceiro álbum, "Casa" , que se estreou no primeiro posto do top português de álbuns. Em 2019, Carolina ganhou o Globo de Ouro de Melhor Música, com o tema "A Vida Toda". Seus mais recentes trabalhos são os singles lançados este ano: "Por um triz", "São rosas", "#VoltamosJuntos" com Fernando Daniel e Carlão, e "Eco".

No bate-papo exclusivo, que irá ao ar na próxima terça-feira (26/10), a artista falou sobre sua relação com o Brasil e contou que, apesar de não ter músicos, sua família sempre foi muito musical. "Parte da minha família materna é do Rio de Janeiro, então meus primos e tios vinham para cá e ficavam em nossa casa nas férias. Então ouvíamos muita música brasileira, do mundo todo na verdade, mas, principalmente, música brasileira e eu sempre adorei", relatou Carolina, que no final da entrevista deu uma palhinha cantando Elis Regina.

Uma mulher forte e cheia de opinião, ao lembrar da trajetória de sua carreira e ao parar para falar sobre o que considera sucesso, Carolina deixou claro que, sobretudo, a honestidade e ser o que verdadeiramente é são os pontos mais importantes.

"Todos os artistas que me fizeram gostar do que eu faço, todos os artistas que me fizeram apaixonar por isso, são artistas que eu senti desde o primeiro minuto que estavam a contar a sua verdade mais íntima e mais difícil de contar. E, portanto, eu não tolero nada menos do que este nível de honestidade e de profundidade. Então minha primeira preocupação é que acho que só poderei considerar que tenho sucesso no dia que eu olhar pra trás e disser 'tudo aquilo que eu fiz foi pelas razões certas'. Cantei com honestidade, cantei com verdade, cantei aquilo que sentia. Sucesso e vitória, seja em qual for a área, é fazer o bem" - afirmou a artista.



(Antonio Cicero - Crédito Chico Cerchiaro)



Já na entrevista que irá ao ar na próxima quinta-feira (27/10), Antonio Cicero e Tiago Torres da Silva bateram um papo super descontraído com Fabiane Pereira. Antonio é compositor, poeta, escritor, crítico literário e filósofo. Recém eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), Antonio é autor de letras conhecidas do público que acompanha a música popular brasileira (MPB), escritas para canções em que teve como parceiros sua irmã, a cantora Marina Lima (Fullgás), Adriana Calcanhotto (Inverno), João Bosco (Trem bala) e Lulu Santos (O Último Romântico). Além disso, publicou os livros de poemas "Guardar" (1992), "A Cidade e os Livros" (2002), "Porventura" (2012) e, em parceria com o artista plástico Luciano Figueiredo, "O Livro de Sombras" (2010). Seus poemas, além do prazer estético, provocam reflexões sobre o estar no mundo e a perplexidade do ser humano.

No bate-papo, Antonio relembrou de uma passagem marcante enquanto compositor parceiro de sua irmã Marina Lima. "Eu escrevia poesias e as deixava em cima da mesa. Um dia eu fui para a universidade e Marina, minha irmã, que tocava violão, pegou um destes poemas chamado "Alma Caiada" e musicou. Quando cheguei em casa e vi Marina cantando o meu poema fiquei zangado, porque eu achei que ela não tinha o direito de mexer nos meus poemas, nas minhas coisas sem minha autorização (risos). Mas depois eu comecei a gostar muito daquilo. E a partir daquele momento, desde então, na minha relação de parceria com a Marina, aquele foi o único poema que foi musicado." - contou Antônio.

O português Tiago Torres da Silva é autor de teatro, poeta e letrista português. Desde 1990 divide a sua atividade entre o teatro e a escrita. Seu talento se comprova tendo composições gravadas por grandes intérpretes da MPB, como Maria Bethânia, Simone,Elba Ramalho, Ney Matogrosso Daniela Mercury, Seu Jorge, Alcione, Chico César, Zélia Duncan, Joanna, Zeca Baleiro e outros, no Brasil - e Anamar, António Zambujo, Carminho, Né Ladeiras, Maria João, Pilar, Mafalda Arnauth, Joana Amendoeira Eugénia Melo e Castro entre muitos outros, em Portugal. Amigo da fadista Amália Rodrigues, Tiago foi o autor de um espetáculo teatral em homenagem à cantora, que teve como protagonista a atriz brasileira Bibi Ferreira. "Bibi vive Amália" apresentou-se com grande sucesso em Portugal e em várias cidades do Brasil, em 2001.



Tiago Torres da Silva (Divulgação)



Na conversa, Tiago e Cicero "bateram um bolão" ao falar sobre os desafios enquanto compositor, sobre a conexão entre letra e melodia. Seguindo essa reflexão, Tiago deixou claro seu interesse e ligação com o Brasil.

"Eu escrevo em português de Portugal, mas também escrevo em português do Brasil, escrevo no português do nordeste, isso me fez ter que estudar muita coisa sobre a cultura brasileira. Muita coisa sobre o candomblé, sobre a cultura nordestina, sobre a cultura de vários lugares do Brasil. Como sobre Portugal também, para escrever sobre diferentes regiões. E essa coisa que eu me propus de também ter um "pézinho" na música brasileira, foi talvez o maior desafio que eu me propus, pois eu tinha que escrever como se fosse brasileiro. E eu acho que a letra de música tem mais tradição no Brasil do que em Portugal. Aqui a poesia tem uma tradição muito forte, mas na letra de música há uma liberdade no Brasil", explicou o letrista.



SERVIÇO: "Ponte Aérea: Portugal - Brasil"

26/10 - Carolina Deslandes
Terça-feira, às 12h, no canal de YouTube ' Papo de Música '


28/10 - Antonio Cicero e Tiago Torres da Costa

Quinta-feira, às 19h, nos canais do YouTube 'Papo de Música' e UBC

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