‘Nos Armários dos Vestiários’ estreia investigação jornalística sobre a homofobia no futebol

GE

Apresentado por Joanna de Assis e William De Lucca, podcast do ge traz trabalho de 10 anos de apuração com mais de 100 entrevistas realizadas

Tema recorrente no debate social, mas ainda incipiente no futebol, a homofobia no esporte mais popular do Brasil é o tema do podcast original do ge, 'Nos Armários dos Vestiários', que estreia hoje, 24 de junho, no ge, no Globoplay (https://globoplay.globo.com/podcasts/nos-armarios-dos-vestiarios/4ef12b24-5545-4a37-955f-65ef48cef3ae) e nas principais plataformas de áudio. Apresentado pelos jornalistas Joanna de Assis e William de Lucca, o podcast tem o formato investigativo, trazendo um profundo mergulho nas dificuldades de inclusão e representatividade dentro e fora do campo, além de abordar questões sobre o machismo e a homofobia naturalizados em diversas frentes do futebol. A série terá 10 episódios semanais publicados às sextas-feiras.
 
"O podcast vem para romper uma barreira histórica. Quando um jogador se posiciona publicamente é o primeiro passo na luta contra a homofobia, porque oferece uma representatividade fundamental que não existia. Que o legado seja esse - que se naturalize a presença LGBT no futebol, nos campos e nas arquibancadas. Que o termo sair do armário deixe de existir, e que a vida sexual de todos seja respeitada. Esperamos que todos aqueles jogadores que neste momento se sintam sufocados pela homofobia saibam que não estão sozinhos, e que merecem ter o direito de ser quem eles são de verdade. Espero que ajude na desconstrução do homofóbico, que ele reveja suas atitudes e falas. É preciso combater os comportamentos homofóbicos dos mais sutis aos mais violentos", destaca Joanna de Assis. 
 
Apaixonado por futebol, William de Lucca exalta a importância desta investigação e de falar sobre a homofobia dentro e fora dos gramados. "O podcast traz o debate sobre um tema que é indesejado pela cultura machista e homofóbica que ainda dá as cartas nos ambientes do futebol. Estamos falando aqui de atletas que perdem a carreira por conta de sua orientação sexual, de torcedores que não podem torcer pelos seus times por medo, de técnicos que precisam viver uma vida de mentira, de jornalistas que precisam ser quem não são para trabalhar. Essa não é uma pauta menor não é um tema acessório no futebol: a vida e a dignidade dos LGBQIA+ importa, inclusive no futebol. E é sobre esse direito, negado a muitos deles, que a gente precisa falar", exalta William de Lucca.
 
O primeiro episódio traz muitas emoções com o depoimento do ex-jogador Richarlyson, que contou a sua trajetória de posicionamento contra a homofobia e também se declarou bissexual. "Pelo tanto de pessoas que falam que é importante meu posicionamento, hoje eu resolvi falar: sou bissexual. Se era isso que faltava, ok. Pronto. Agora eu quero ver se realmente vai melhorar. Porque é esse o meu questionamento. Eu não queria ser pautado por causa da minha sexualidade, de eu ser bissexual, eu queria que as pessoas me vissem como espelho por tudo aquilo que eu conquistei dentro do meu trabalho. Eu nunca coloquei a minha sexualidade na frente do meu trabalho, e nunca faria isso. E eu não estou falando isso agora porque eu parei de jogar, muita gente maldosa vai falar isso, que eu falei agora porque não jogo mais. Não. Eu nunca falei porque não era a minha prioridade, como não era hoje, mas hoje eu me senti a vontade de falar. Eu queria que não existisse essa pauta, estamos aqui falando de uma coisa que poderia não existir. Eu queria estar falando aqui da minha nova carreira. Mas é importante. Vamos poder alertar um ali, outro aqui."
 
O episódio de estreia também conta com depoimentos como o do jogador do Fluminense Germán Cano e do comentarista Walter Casagrande. Ao longo das próximas semanas, a homofobia e a relação homoafetiva em diversas esferas do futebol serão abordadas: arbitragem, torcida organizada, categorias de base, treinadores, imprensa e muito mais. Para isso, contarão com a participação de vários convidados como jogadores, ex-jogadores, comentaristas, técnicos, torcedores e diversos outros personagens que trazem os seus depoimentos a partir das vivências no mundo da bola.  
 
O podcast 'Nos Armários dos Vestiários' é o primeiro projeto do ge com produção da Feel The Match, startup com foco em projetos audiovisuais e de podcasts no universo dos esportes, e tem direção geral do sócio fundador da empresa Bruno Maia. 'Já está disponível no Globoplay, ge e nas principais plataformas de áudio. 
 
Entrevista com Joanna de Assis:
 
Quais foram os principais marcos desses mais de 10 anos de apuração? Qual seria o ponto auge para destacarmos?
Joanna: Pra mim foi ouvir de muita gente que se sentia aliviada em poder desabafar, e que as entrevistas ajudavam a dar coragem de finalmente sair do armário e viver livremente.  Mesmo aqueles que se abriram pra mim, mas não fazem parte do projeto diretamente, são especiais. Não tem preço saber que de alguma forma o projeto os representa e acende um farol nessa escuridão. O auge é trazer relatos inéditos de gente importante do futebol assumindo sua sexualidade abertamente, abrindo espaço para que outros também o façam. Além disso vamos trazer denúncias e reportagens especiais. 
 
Na sua opinião, qual é o legado que o podcast pode gerar?
Joanna: O podcast vem para romper uma barreira histórica. Quando um jogador se posiciona publicamente é o primeiro passo na luta contra a homofobia, porque oferece uma representatividade fundamental que não existia. Que o legado seja esse - que se naturalize a presença LGBT no futebol, nos campos e nas arquibancadas. Que o termo sair do armário deixe de existir, e que a vida sexual de todos seja respeitada. Esperamos que todos aqueles jogadores que neste momento se sintam sufocados pela homofobia saibam que não estão sozinhos, e que merecem ter o direito de ser quem eles são de verdade. Espero que ajude na desconstrução do homofóbico, que ele reveja suas atitudes e falas. É preciso combater os comportamentos homofóbicos dos mais sutis aos mais violentos. 
  
Entrevista com William de Lucca:
 
O projeto te marcou ou surpreendeu de alguma forma?
William: Essa política de "não fale e não pergunte" que impera de forma tácita nos vestiários me surpreendeu bastante. Até mesmo profissionais que estão habituados com a pauta, que defendem a diversidade, não tiveram por hábito falar sobre o tema com companheiros de vestiário e não tem histórias de ex-colegas gays ou bissexuais. É uma invisibilização destas pessoas que existem, é claro, já que entrevistamos algumas delas e sabemos que homens gays e bissexuais estão em todos os lugares, para que eles possam existir nestes espaços.
 
Na sua opinião, qual é a relevância de um projeto como esse, trazendo variados casos de homofobia que conversam diretamente com uma cultura machista e enraizada no futebol?
William: No futebol, os homens gays e bissexuais vivem sob um manto de invisibilidade. Assim que eles ganham a luz, seja nas torcidas, nos clubes como jogadores ou profissionais, passam a ser alvos do machismo e da homofobia que cobra um masculino construído, idealizado e que até mesmo muitos homens heterossexuais têm dificuldade de cumprir. O podcast joga luz nesse problema e propõe uma reflexão mais profunda sobre as causas e as implicações da intolerância na vida de quem a sofre. A homofobia é estrutural na sociedade e no futebol ela tem suas representações mais extremas. Problemas estruturais não têm soluções simples e isso tudo fica claro durante o desenrolar do podcast.

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